Pra ir a Baile Funk: Mãe deixa bebê de 8 meses com irmão de 5, a criança morre após… Ver mais

O que deveria ser apenas mais uma noite de lazer acabou se transformando em um dos casos mais comoventes e revoltantes do ano na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Em Realengo, uma jovem de 23 anos foi presa após deixar sozinhos em casa seus dois filhos — um menino de 5 anos e uma bebê de apenas 8 meses — para ir a um baile funk. Horas depois, o desfecho foi devastador: a filha mais nova foi encontrada sem vida.

Segundo a investigação, a bebê pode ter se engasgado com a mamadeira deixada pela própria mãe antes de sair. O episódio reacende debates urgentes sobre negligência infantil e a necessidade de fortalecer redes de proteção às crianças.

Seis Horas Fora de Casa: Do Descuido à Perda Irreparável

De acordo com informações da 34ª DP (Bangu), a mãe teria saído de casa já na madrugada, após preparar o leite da bebê e dar orientações superficiais ao filho mais velho. Antes de ir, trancou a porta, deixando a responsabilidade da casa e da irmã sobre os ombros de uma criança de apenas cinco anos.

Testemunhas afirmam que o retorno aconteceu por volta das 8h30 da manhã. Ao entrar, a mãe encontrou a filha desacordada. Desesperada, correu com a bebê para a UPA de Magalhães Bastos, mas a equipe médica constatou que ela já estava sem vida ao dar entrada.

Casa em Estado Precário e Acusações de Negligência Reiterada

A prisão foi feita ainda na unidade de saúde, após o acionamento da Polícia Militar. Ao vistoriarem a residência, os agentes se depararam com um ambiente descrito como “totalmente insalubre”: paredes encardidas, roupas espalhadas, sujeira acumulada e ausência de condições mínimas de segurança para crianças.

Vizinhos revelaram que o abandono não era um fato isolado. Relataram que, em outras ocasiões, as crianças já haviam sido vistas sozinhas durante a madrugada, sem supervisão de qualquer adulto. Esse histórico de descuido reforça a gravidade do caso e a vulnerabilidade em que as vítimas viviam.

Conselho Tutelar Assume e Comunidade Clama por Justiça

O menino de 5 anos foi levado sob proteção do Conselho Tutelar, que garantiu guarda provisória e acompanhamento psicológico imediato. Especialistas alertam que o trauma vivido pode gerar consequências emocionais profundas, já que a criança não só perdeu a irmã, como também foi exposta a uma responsabilidade incompatível com sua idade.

O caso reacendeu discussões nacionais sobre abandono de incapaz, crime previsto no Código Penal, e sobre o papel da comunidade diante de sinais claros de risco. Dados do Disque 100 apontam que denúncias desse tipo continuam sendo preocupantemente frequentes, e a omissão de vizinhos e familiares muitas vezes é um fator que permite que tragédias se concretizem.

A mãe, identificada como Vanuza Moura, responderá por abandono de incapaz seguido de morte, cuja pena pode chegar a 12 anos de prisão. Enquanto aguarda audiência, Realengo vive um misto de comoção e revolta, marcado pela dolorosa consciência de que tudo poderia ter sido evitado com um único gesto de cuidado.

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